terça-feira , 20 outubro 2020
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Exclusivo: Sete pontos para alavancar o desenvolvimento do país

Exclusivo: Sete pontos para alavancar o desenvolvimento do país

Por Jair Calixto.

Você lê primeiro aqui.

No passado já vivenciei diversos planos econômicos e projetos de governo, todos voltados a uma causa específica, a uma situação em particular. Porém, que eu me lembre, nunca foi estabelecido um verdadeiro projeto de desenvolvimento, analisando todas as dificuldades e peculiaridades do país, para de modo holístico (acho que essa é a palavra certa), propor as soluções adequadas e de modo amplo, atingindo todas as camadas.

Poderíamos chamar de Projeto de Desenvolvimento Brasileiro, na esteira das dificuldades impostas pela COVID-19, pelo aprofundamento da crise econômica (que se arrasta há 6 anos) e pela visualização da necessidade de o país reduzir sua dependência externa. O nome não importa, mas sim as ações e o conteúdo.

(1) Educação

Começo com a educação. É mais do que urgente e necessário rever o sistema educacional e, efetivamente, preparar indivíduos para gerar riquezas para a nação. Basta de ensinarmos coisas, sem sentido para os jovens, ensinamentos envelhecidos para este mundo moderno, sem conexão com a realidade prática do universo empresarial e social.

Tenho ciência que é difícil ensinar em uma realidade, cujos conhecimentos se modificam à velocidade da luz e viram pós rapidamente, mas algo deve ser feito para atrair a atenção dos jovens. Talvez uma educação moldada na prática cotidiana, dentro das empresas, porém com menor tempo dedicado às teorias.

(2) Infraestrutura Logística

Não há desenvolvimento que floresça, sem que haja uma distribuição rápida e eficiente de produtos. É básico. Por isso, vejo como importante a criação de uma infraestrutura de logística integradora, que utilize a multimodalidade como fator principal de redução de custos e que crie pontos estratégicos de apoio logístico nas diversas regiões do país. Temos por obrigação fazer uso da cabotagem como modal para atingir as capitais situadas na costa. A maior parte da população está na costa brasileira! As vantagens são inúmeras, nem é preciso citar. Ampliar o modal fluvial, dotando-o de maior capacidade. Melhorar a situação das rodovias e estabelecer pontos estratégicos de apoio nas 5 regiões do país. Por fim, as ferrovias. Sucateada na década de 60, deve ser reconstruída para ofertar uma diversidade que facilite a multimodalidade. Um comboio pode levar centenas de vagões.

(3) Indústria

O resgate da indústria, que gera muitos empregos diretos e indiretos, mais os impostos, é necessidade absoluta para brecar a desindustrialização pelo qual passamos. Na década de 50 éramos um dos países mais industrializados do mundo. A Indústria chegou a ter 27,2% de participação no PIB em 1985 e está em 14,6% em 2017, com perspectivas preocupantes de chegar a 9% em 2029. Não me refiro somente à indústria de bens de consumo. Necessitamos, também, elaborar um projeto para criar uma indústria de bens de capital (de base, pesada) forte, que é a estrutura fundamental para as demais indústrias manufatureiras.

(4) Academia + (5) Inovação

O fortalecimento da relação indústria x academia, juntamente com a inovação trarão apoio do conhecimento e da ciência, gerados nas universidades, para os setores de serviços e da indústria. A academia, resguardadas algumas exceções, possui pouco conhecimento do “timing” da indústria e, esta por seu lado, não se aproxima como deveria, pois sente desconfiança. Estamos perdendo oportunidades com esta relação debilitada. No horizonte da inovação não podemos deixar de mirar as tecnologias disruptivas, que alteram grandemente a relação maquinário x processo x produtividade x recursos humanos. Temos que fortalecer esta relação para criar sinergia e gerar ciência para o país. Além, é claro, da geração de empregos.

(6) Redução da Carga Tributária e Redução da Burocracia

Ligando todos estes pontos anteriores, o Brasil tem que aplicar um programa racional de redução da carga tributária e de eliminação da burocracia excessiva para estimular os empreendedores e investidores, nacionais e internacionais. A complexidade da nuvem cinzenta de impostos espanta os investidores. O Brasil é tido como um dos países mais difíceis para fazer negócios. Temos que acabar com esse estigma, dando um novo direcionamento no sentido de fomentar os negócios.

(7) Política Desenvolvimentista

Por fim, a elaboração de uma Política Desenvolvimentista ou Projeto de Desenvolvimento Brasileiro, que congregue estes pontos elencados acima, que envolva todas as regiões do país, de modo que utilize eficaz e adequadamente nossos recursos. Este projeto, de âmbito nacional, que possa alinhar cientistas, empresários, empreendedores, políticos e investidores, delineando as necessidades e metas através da integração das 6 áreas mencionadas e a mudança de patamar para alavancar o crescimento do país e possibilitar o desenvolvimento social.

Em resumo,
 Fortalecimento da Indústria;
 Infraestrutura logística;
 Melhoria da Educação;
 Sinergia na relação academia x setor privado;
 Inovação e tecnologias;
 Redução da burocracia e da carga tributária,
 Política Desenvolvimentista, estruturando todos os itens, proporcionarão um salto de crescimento sustentável ao país.

É o que penso. É o que eu gostaria que fosse feito para deixar um país melhor para meus filhos. E claro, tudo isso, sem bandeiras políticas para atrapalhar.

Jair Calixto é especialista em Boas Práticas de Fabricação do IBBPF. Visite o Canal BPF no YouTube, o Instagram e o Linkedin.

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