quinta-feira , 27 janeiro 2022
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Os novos hábitos do setor de beleza na pandemia

O ano de 2020 trouxe inúmeras mudanças, e o setor de beleza foi um dos que mais precisou se adaptar a elas

*Por Shalisa Boso

A pandemia decretada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao novo coronavírus fez com que diversos países ao redor do globo adotassem medidas sanitárias e políticas para a preservação de vidas e a contenção de uma chaga que não assolava o planeta de tal modo há um século, desde a Gripe Espanhola (1918). Diante de tantas alterações e impactos ocasionados pela pandemia, diversos segmentos industriais e comerciais de cosméticos também perceberam a necessidade de compreender o momento adverso e colocar em prática novos hábitos, condizentes com o período que a humanidade enfrenta. E tal preocupação tem fundamento, afinal, o mercado de higiene pessoal e cosméticos é um dos mais representativos no mundo: o Brasil, por exemplo, é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do planeta, só atrás de Estados Unidos, China e Japão.

Algumas das principais mudanças ocasionadas ou fortalecidas no setor devido à pandemia passam por pilares essenciais, como a comodidade, segurança e meio ambiente. O primeiro desses fundamentos — definidos por boa parte do público — é compreensível diante de um cenário em que as pessoas passam boa parte do tempo em seus lares confinadas e frequentemente conectadas à internet. Se tornou necessário, portanto, que produtos e serviços de beleza e cosméticos fossem oferecidos de forma individualizada e disponibilizados diretamente nos lares de cada pessoa, com um toque de personalidade. Ganha força, portanto, a ideia de “beleza on demand”, movimento que busca oferecer itens sob medida e adaptados de acordo com gostos e preferências de cada cliente. Enquanto as prateleiras de produtos disponíveis no mercado entregam cosméticos de abrangência maior e, por vezes, generalizada, o movimento “on demand” apresenta especificidades voltadas a cada consumidor e utiliza, por meio da tecnologia, informações cruciais na montagem de produtos cada vez mais únicos. Eis a comodidade que boa parcela do público consumidor de itens de beleza procura.

Ademais, a internet atualmente serve fortemente como meio de propagação de ideais que almejam a segurança e saúde diante dos itens consumidos pelo público, sem perder de foco o desejo de preservação do meio ambiente. Por isso, ao observar os novos anseios dessa clientela conectada às tendências no mundo, são inúmeras as marcas de beleza e cosméticos que começaram a investir no “clean beauty”, termo que pode ser adaptado em português para “beleza de forma limpa”. A ideia dá nome a uma tendência que procura por produtos ecologicamente corretos, saudáveis e seguros, tanto ao meio ambiente quanto à integridade física de quem os utiliza. De acordo com defensores desse movimento que ganha cada vez mais seguidores no mercado de beleza, o princípio de preocupação com os consumidores e com o meio ambiente deve estar presente em todas as etapas produtivas dos itens, desde a sua concepção até a distribuição.

De acordo com dados divulgados pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), as vendas de produtos do segmento de beleza fecharam o ano de 2020 com um crescimento de 4,7%, o que representa R$ 122,4 bilhões, diante de uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,1% no país. Tudo isso em um cenário de pandemia responsável por apresentar diversas incertezas, tanto para negócios quanto para a população em geral. Um outro motivo para que o crescimento de 4,7% do setor de cosméticos fosse registrado foi a adoção do empreendedorismo por boa parte dos brasileiros. Diante das dificuldades impostas pela pandemia e a procura por produtos e serviços também mais acessíveis, especialmente nos cuidados com a pele, diversos indivíduos resolveram investir no próprio negócio. Itens no mercado voltados à cútis, por exemplo, registraram um crescimento de 161,7% nas vendas durante os dez primeiros meses de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019, ainda de acordo com a ABIHPEC. Em outras palavras, o mercado de beleza se mostra bastante resiliente, apesar de todas as adversidades impostas, e o futuro, claro, pode continuar a reservar grandes frutos.

*Shalisa Boso é sócia-diretora da Prohall, empresa do ramo de cosméticos.

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