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Demanda por ingredientes naturais impulsiona protagonismo da Amazônia na inovação em cosméticos

Tendências globais de consumo e avanço da sustentabilidade no setor ampliam o interesse da indústria por insumos da biodiversidade brasileira

São Paulo, maio de 2026. A região Norte vem ampliando sua presença na indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC). Segundo dados do Panorama do Setor 2026, da ABIHPEC, existem 89 empresas instaladas na região, sendo 32 delas no Amazonas, estado que concentra o maior número de operações e se destaca como polo produtor e estratégico para grandes marcas.

O avanço acompanha uma transformação no comportamento do consumidor global, cada vez mais atento à composição dos produtos e à transparência das formulações. De acordo com relatório da NSF, organização internacional de saúde pública e certificação, 74% dos consumidores consideram ingredientes orgânicos importantes na decisão de compra de itens de cuidados pessoais. Nesse contexto, a biodiversidade amazônica ganha relevância como fonte de inovação para o mercado de beleza.

A demanda por ingredientes naturais, rastreáveis e sustentáveis também reflete no mercado de fragrâncias que, segundo a Fortune Business Insights, deve registrar crescimento anual próximo de 10% até 2034. O movimento impulsiona a presença de bioativos amazônicos na cadeia global de inovação em HPPC, especialmente em formulações alinhadas às tendências de bem-estar, sustentabilidade e produtos de origem vegetal.

Segundo Ana Beatriz Elia, líder da in-cosmetics Latin America, o Brasil ocupa uma posição estratégica no mercado latino-americano de cosméticos por reunir ativos vegetais exclusivos, provenientes de plantas e frutos nativos. “Ativos como cupuaçu, buriti, guaraná, açaí e babaçu representam uma combinação cada vez mais valorizada pelo mercado, já que proporcionam desempenho funcional e possuem origem natural, reforçando a conexão com práticas sustentáveis”, afirma.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Brasil concentra cerca de 15% da biodiversidade mundial, cenário que fortalece o interesse da indústria de HPPC por ingredientes ligados ao bioma amazônico. O avanço desse mercado também estimula iniciativas de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico na região. Em 2024, a ABIHPEC e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) anunciaram um acordo de cooperação voltado ao fortalecimento das cadeias produtivas de bioinsumos amazônicos e ao avanço da bioeconomia.

“Em edições recentes da in-cosmetics Latin America, observamos um crescimento significativo do interesse por ingredientes da Amazônia, tanto por parte de formuladores quanto de marcas em busca de inovação com identidade regional. Em 2026, esse tema terá ainda mais destaque na feira, refletindo o o aumento da demanda do mercado por soluções naturais, rastreáveis e conectadas às novas expectativas do consumidor”, finaliza Ana Beatriz.

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